Beats: O que traz felicidade?

Sei que você, como todos, vive em busca da felicidade.  Mas será que está procurando no lugar certo?

Obs: Não esqueça de ligar a legenda (subtitle) para ouvir o sr. Robert Waldinger.

Beats

Bem-vindo ao Beats, histórias curtas sobre a vida, emoções ou pequenos fatos. Vivemos milhares de histórias como essas ao longo da vida, histórias após histórias pontuando a música da nossa vida. Beats.

O jovem Gengis Khan Camargo estava parado em pé em frente a sua própria casa. Usava uma camiseta roxa pequena demais para seu formato esférico, uma bermuda que não chegava nos joelhos e um par de patins tipo “roller” que o faziam gingar de uma maneira engraçada. Toda a situação era perfeita para o vídeo que seu pai, Gravêncio Camargo, estava registrando.

– Você não vai vir? – gritou bruscamente o jovem patinador.

– Tô ino! – foi a resposta vinda de dentro da casa.

Através das lentes da câmera Gravêncio registrava o movimento oscilante do seu filho. Ele queria que Gengis desgrudasse do videogame e abandonasse o bronzeado estilo zumbi albino, queria arrancá-lo da casa. O trabalho estava feito, agora só precisava registrar o evento.

– Pai, cê ta gravando?

– Patina para a gente ver, filho – respondeu evasivamente.

Ele não precisava de mais incentivos, era um jovem destinado a grandes conquistas. Ensaiou uma passada, acelerou, saçaricou como uma gralha sofrendo um derrame e caiu de bundas. Rapidamente tentou se levantar, mas percebeu que seria necessário um estudo mais meticuloso para isso.

– Mas já caiu? – perguntou o amigo que acabara de sair de dentro da casa.

Era Kun Fu José, seu vizinho, que também calçava patins. Muito mais desenvolto do que seu amigo pálido, Kung Fu dominava os movimentos secretos da patinação como ninguém. Se aproximou de Gengis e o ajudou a levantar.

– Vai filho, tenta de novo – Gravêncio agradecia secretamente pela filmadora esconder seus lábios que sorriam francamente. Tinha que se manter concentrado para não rir e tremer a imagem.

Mais uma vez Gengis se arriscou. Um pé foi para frente, mas o outro respondeu indo para trás. Não era exatamente o que planejara, de modo que as mãos giraram como parafusos feitos de pudim. Um espacate começou a despontar, o que era anatomicamente inadmissível, e para evitá-lo as mãos foram aos chãos para manter o equilíbrio.

– Continua Genginho… – incentivava o pai, tentando disfarçar o som de Zoom da câmera. Focava a bunda de seu filho.

Texto de Mark Twain
Foto cortesia de James Kim

A felicidade é medida pela quantia de relações e de momentos, como a breve cena descrita acima do pequeno Gengis Khan Camargo. Felicidade é mais do que dinheiro e fama, a fórmula é tão obvia que passa a ser ignorada. E mais importante, isso agora é comprovado pela ciência (Its Science, bitch!).

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