Shitake, Cachorros e as Injustiças da Vida

Fim de semana passado fui tomar um café com a Camila e cruzamos com um bar uma cafeteria agradável para conversar. Não estava essa brisa gostosa de final de abril, então as mesas de fora sob o toldo pareceram a escolha certa.

Logo que sentamos chegou o shitake, um catchorito todo felpudo despenteado que aparentemente morava ali. Ele era vira lata de tudo, mas abanava o rabo e se aproximava quando a gente fazia “tik tik tik”.

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Fotografia cortesia de Gabriel González

Não fizemos carinho nele porque segundo a Camila chamar ele seria maldade porque ele ia achar que íamos dar comida. O argumento foi reforçado pela garçonete, segundo ela o safado do Shitake já tinha comido 2 x-burger e uma bomba que uma idosa pagou.

Aliás, sabemos que o nome dele é Shitake porque a Camila decidiu assim. Ela olhou pra ele fez uns barulhos engraçados e falou “huuuunnnn SHITAKE!”… e ele olhou. Pronto, virou o nome dele.

Observando os maneirismos do catchoro eu tracei seu perfil:

Alguém largou o Shitake na rua e ele acabou ficando ali porque tinha comida. Ele olhava para o mundo todo esperançoso, e para mim estava pensando tipo “WTF mano, proncovô agora?”. Na dúvida ficou ali comendo lanche na chapa com sobremesa de chocolate e creme. Não estava ruim, mas não estava bom também.

Quem nunca né? 

É tão tentador se acomodar quanto a ração é gostosa onde a gente está que nos pegamos na mesma situação de Shitake… figurativamente comendo x-burger e bomba de chocolate.

Para o caso do Shitake algo aconteceu. Um Pug gourmet apareceu com sua coleira de diamantes e ele foi todo pimpão fazer amizade. Afinal, o pug gourmet estava em uma posição privilegiada e Shitake provavelmente pensou “quem sabe seus donos não tinham espaço para um outro catchoro felpudo?”

Ele realmente foi lá abanar o rabo e fazer amizade, ganhar carinho e fazer festa.

pug gourmet
Fotografia cortesia de Rick harris

Infelizmente não foi isso que aconteceu. Como todo mundo em uma posição superior, o pug gourmet latiu como um desvairado e se mijou até Shitake ir embora.

E o Shitake olhava todo “Qualé mano, se tem de sobra, raxa essa mamata aí”; e o pug gourmet fez “Grrrr! au au! AU! *mija* au au eu te odeio au au vai embora!”

A dona até se compadeceu, mas obviamente não poderia colocar outro catchoro na casa dela, o pug gourmet, que se chamava Frederico, jamais aceitaria.

Foi assim que Shitake percebeu mais uma lição dura na vida. Quem está em uma posição superior se esforça para que você não suba até lá também.

Se ele é um cachorro de rua, não pode ter poder aquisitivo para ir para a Miami dos catchoros gourmet. Seria inadimissível. Não é sobre ele ganhar um lar, é sobre o pug gourmet ter que dividir o dele.

Agora falando a verdade. Cachorros entendem hierarquia, mas não é assim também. Eu problematizei igual um retardado uma simples interação canina. Eu sei, eu sei. Fora que também não tirei fotos reais dos cacthoros para por no página.

E porque a história do Shitake? Não sei bem, acho que ficam aí algumas lições, tanto de falta de memória quanto a que os cãozinhos ensinaram de uma forma tão fofa (se estivesse lá acharia fofo)

E o Shitake… não sei o que virou dele. Nesse exato instante deve estar comendo um X-tudo e tomando suco de graviola na tijela amarela.

O mais bonito disso tudo é que ele não tinha medo de humanos, não corria da gente e se deixava aproximar. Espero que ele nunca experimente a crueldade humana e continue em busca de um lar para ele.

2 Comments

  1. “Espero que ele nunca experimente a crueldade humana e continue em busca de um lar para ele.” dentre todos os pontos do texto esse foi o que me fez pensar mais…é tanta coisa que acontece.

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