Escrever um Livro – Passo 1

Escrever não é fácil, mas é possível. Eu criei um método que pode te ajudar.

Pronto para escrever seu livro? Eu sei que é difícil, mas com calma chegamos lá.
Fotografia cortesia de Christian Holmér

Ok, eu não criei nada, eu copiei várias ideias de várias pessoas e criei um Frankenstein metodológico que funciona para mim. Um que agora mostrarei para vocês, na esperança de que peguem algum pedaço que achem útil para construir seu próprio estilo.

Eu também não quero simplesmente publicar dicas leves e rasas sobre como escrever, de modo que vou dividir a estrutura em quantas partes forem necessárias e acho vem bastante coisa por aí.

Por hora, vamos partir do princípio. Vamos conversar sobre o que vem antes de tudo, da primeira palavra, do tema, da ideia, de tudo.

Passo 1: A Premissa

A Premissa é sua história resumida em uma sentença. Se você não conseguir explicar em uma única frase sobre o que é seu livro, sobre o que ele é verdadeiramente, não será capaz de passar de poucos capítulos.

Essa sentença precisa fazer qualquer um entender do que se trata e decidir se ele se interessa ou não pelo que vai encontrar ali. Preferencialmente cativante e com promessa de uma grande história. Afinal você quer que as pessoas se interessem pelo seu livro.

O primeiro passo é fazer o leitor potencial entender no menor tempo possível e no menor número de palavras sobre o que é seu livro. Ela deve suscitar imagens e cenas no leitor assim como em você.

A premissa deve estar com você do início ao fim, ela norteará seu plot, seus personagens e os locais onde a história se passa.

É ela que impedirá você de sair do rumo ou se perder enquanto escreve. Você sempre saberá sobre o que é seu livro. A premissa é a coleira que te impede de ir longe demais e também ditará seu rumo e que caminho seguir quando se sentir perdido.

Além disso, e o mais importante,  sua premissa é também sua prisão. É por isso que ela deve ser tão simples, clara e ao mesmo tempo fascinante para você.

Uma vez escolhida, vou presumir que você ficará com ela até o fim do livro (e deixará de imaginar e perseguir todas as outras possíveis premissas que surgirem na sua mente criativa).

Você ficará meses ou anos preso a ela. É importante que ela se mantenha fresca e igualmente cativante do início ao fim do processo de criação.

Escolhendo a Premissa

Agora que já definimos porque a premissa é tão importante, precisamos aprender como criar uma.

É fácil errar na premissa. Sua ideia precisa ser forte o suficiente para sustentar 150~300 páginas de texto. O que eu recomendo é calma e paciência. Não agarre a primeira ideia que vier na sua cabeça.

Eu costumo fazer um brainstorm tentando chegar em ao menos 10 premissas antes de realmente sentar e pensar cada uma delas a fundo.

Aliás, tá aí um fato realista e valioso: Todo primeiro rascunho que você escrever será uma porcaria. É possível que você passe mais tempo relendo e reescrevendo do que criando, mas estou pulando etapas.

De volta à premissa, faça o seguinte: Escreva coisas que mudariam sua vida! Imagine uma história que se acontecesse com você, te marcaria para sempre (ou marcou para sempre).

Escreva tudo o que quer fazer e ter. Os livros, jogos, viagens e bens que quer ter. As coisas que quer fazer. Esse pacote de informações pode te ajudar a reconhecer o que é importante para você, quais os seus sonhos e que tipo de aventura te atrai. Pode ser uma grande história de amor, ou se superar cada dia outra vez; ou viajar para locais incríveis; enriquecer em pouco tempo;  mudar o sistema político sendo apenas uma pessoa comum; explorar um local jamais visto, etc.

Não se segure, se você começar a escrever e se empolgar, não tem motivos para parar.

Outra forma de criar sua própria premissa é investigar a dos seus autores favoritos. Tente criar uma frase que sintetize tudo o que acontece nos seus livros preferidos. Qual a premissa das Crônicas de Gelo e Fogo: Tormenta? E da Fúria das Espadas? Mesma série, premissas diferentes.

Às vezes, ela está escrita na contra capa.

O que é Possível?

Por fim, com várias ideias no papel, é preciso escolher uma. E para isso você precisa ir mais fundo nas possibilidades.

Vou descrever um processo meu recente que pode dar uma ideia de como é esse processo:

Eu precisava escrever um conto para Savoss e comecei a pensar em premissas.

Foi um pouco diferente, porque eu já tinha os personagens criados e precisava de premissas que se encaixassem neles.

Depois que consegui 11 premissas, escolhi a que parecia mais atraente.

  • Premissa: “Dois profissionais egoístas precisam trabalhar juntos para recuperar um objeto de valor”.
  • A partir daqui, preciso fazer perguntas sobre o que pode acontecer nessa história. Para isso, começamos a fazer perguntas com “E se…?”
  • E se personagem A é bastarda e seu pai acabou de morrer?
  • E se o personagem B é contratado por A para resolver o mistério?
  • Isso criaria uma relação de empregado-empregador. Eu gostaria de algo mais competitivo.
  • E se B também for um filho em busca da herança do pai morto?
  • São de raças diferentes.
  • E se um deles foi adotado?
  • hmm…
  • Parece que há barreiras demais para essa premissa, ou ao menos para essa ideia básica.
  • Vamos voltar um pouco.
  • E se personagem A está resgatando a herança da família e o personagem B foi contratado por um terceiro para roubar o bem valioso?
  • Mais interessante. A competitividade entre os dois apareceu.
  • Minha premissa pode ser alterada para  “Dois profissionais disputam a maior obra de arte já criada”.

Ela pode evoluir mais, mas para isso precisaria falar sobre mais elementos da criação de histórias. E isso vai ter que ficar para a próxima.

O importante é o processo. Faça o máximo de perguntas possíveis sobre o que pode acontecer na história com base na premissa escolhida. Tente encontrar os problemas, que tipo de antagonista caberia. Quantos protagonistas pediria e se você está disposto a se debruçar sobre todas essas barreiras e detalhes.

Não tema abandonar a premissa, é por isso que você criou dez ou mais.

A intenção é tentar mapear o máximo possível o caminho até o ponto final da sua história. Depois que fizer isso você tem duas opções:

  1. Descartar a premissa e seguir para a próxima;
  2. Seguir em frente, agora preparado para os problemas que ela pode trazer.

Ok, primeiro passo dado!

Com sua premissa traçada tudo ficará mais fácil, mas por hoje já deu. Não quero te aborrecer mais. Bora descansar.

A seguir, temos que escolher o Conceito Principal da sua história. Se a Premissa é o corpo que sustenta, o Conceito Principal é a alma da sua história.

Nos vemos lá!

Até.

 

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