Você precisa do Fate Adversary -Toolkit?

Fate é um dos grandes sistemas genéricos de RPG. Sua liberdade, e a conduta pró consumidor da EvilHat Productions, com preços chegando até o “pague o quanto quiser”, material acessível, diálogo franco e próximo com a comunidade, fez do sistema um dos queridinhos do público internacional.

Fate adversary toolkit 

Uma das iniciativas recentes da editora é a série toolkit. Já temos traduzido o Fate System Toolkit, sob o nome Ferramentas do Sistema, e agora nos resta aguardar o novo lançament: Fate Adversary Toolkit. Mas ele vale a pena? 

É isso que vou responder aqui.

A princípio, 114 páginas sobre adversários não parecem muito convidativo, mas isso muda quando o leitor compreender o que eles consideram adversários: Tudo o que se interpõe entre os jogadores e seus objetivos. 

Com essa definição você consegue ir de inimigos físicos a terrenos acidentados; de embates sociais a escolhas difíceis em uma cena particular.

Essa é a magia do sistema e do livro em foco. Tudo em Fate RPG pode ser tratado como um inimigo, então Fate Adversary Toolkit fala sobre tudo! 

Fate, o Rei dos Genéricos 

Quando comparo Fate com outros sitemas genéricos, costumo fazer a seguinte analogia: 

 “Quando você usa, por exemplo, Savage Worlds, é como se você tivesse uma casa modular para decorar. Tem suas 2 janelas, 2 quartos, sala, cozinha e quintal. Ainda assim, dentro desses limites você pode decorar a casa toda, pintá-la, escolher o tamanho dos muros, o portão e até, indo bem longe, trocar o telhado ou tipo de janela.  

Mesmo com todas as mudanças ela ainda continuará sendo uma casa com 2 janelas, quartos, sala, cozinha e quintal. 

Quando você usa Fate é como se você tivesse um terreno sem nada, você pode construir ali o que quiser.” 

Isso é concomitantemente libertador e desesperador. Com uma estrutura muito mais flexível, e fundamentos genéricos que acomodam virtualmente tudo, o narrador de Fate vê em suas mãos uma carga muito maior de criatividade e responsabilidade para expremer as regras de modo que o cenário/ambientação que planejou tenha um sabor particular. 

Fate Adversary Toolkit, em tese, tenta aliviar isso. Classificando os tipos de adversários, ele oferece mais fundamentos para o narrador criar e flexionar as poucas regras do sistema.

Porém, o que você encontrará no livro nem de longe são regras complexas. São apenas formas distintas de perceber o sistema e adequá-lo. 

Agora, como nem tudo são flores, o trecho do livro dedicado a essas “regras” é a menor parte do conteúdo. O resto, mais especificamente da página 35 a diante, é uma coletânea de aventuras.

Elas sempre mostram como utilizar as regras novas e são maleáveis para serem jogadas no formato aventura-rápida, aventura longa e campanha. Além disso, todos os tipos de cenários estão contemplados: supers, espionagem, ação dos anos 80, pulp e fantasia urbana, para citar alguns.  O livro vai expandir seus horizontes e te alimentar com boas ideias.

Logicamente que tamanha diversidade e maleabilidade tem um preço, e a moeda é a profundidade. Todas as aventuras do livro são meros resumos/sinopses, deixando a carga criativa mais uma vez para o narrador. 

Aparentemente, essa é uma característica de Fate. 

Em defesa do livro, posso dizer que ele está repleto de fichas de inimigos. De capangas a chefões, de modo que você sempre será capaz de reaproveitá-los em qualquer cenário que esteja usando no momento. 

Aí ao menos, o fator genérico de Fate joga a nosso favor, de modo que você tem uma espécie de “livro de oponentes”. Eles estão espalhados pelas aventuras, mas ainda assim estão lá.

Vale a Pena? 

Sim e não, depende da sua intenção e do que você procura. O livro certamente não é obrigatório para qualquer narrado.

Muito do que você encontra no livro acaba sendo redundante se você for um narrador experiente do sistema, o que te deixará com um punhado generoso de ideias de aventura. 

Se isso é positivo ou não, depende de você. 

Mais uma vez, a Evilhat Productions entrega um livro com um punhado de elementos soltos que juntos se mostram sólidos. Ele não te conduz com a firmeza de outros sistemas.

Mas, no fim das contas, Fate é sobre liberdade e simplicidade, então acredito que o novo lançamento condiz com a filosofia da editora. 

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